sábado, 11 de julho de 2015

Penso pobre. Logo existo. Pobre.





Somos educados para sermos pequenos. Pequenos e Pobres. De espírito e dinheiro. Somos educados para sermos estreitos. A só pensarmos em linhas retas. Porque andar aos ziguezagues não é seguro. Aprendemos que a porra da estabilidade está na constância. No hábito. E somos direcionados a seguir em frente. Sem olhar para os lados. Porque não há nada que nos deva dispersar. E perdemos. Com tudo o que ignoramos pelo caminho. Com todas as mudanças possíveis. Porque somos seres em constante mutação.

Somos educados para não querermos demasiado. A contentarmo-nos com o que temos. Porque é feio. Ser-se ambicioso. Somos educados para sermos mais ou menos. Porque é suficiente sermos meio-termo de algo razoável. E é feio. Ser-se o melhor. Somos educados para não lutarmos até ao último suor e glória. Porque é feio. Ser-se competitivo.

O nosso percurso é fadado a um ligeiro fracasso. Não somos os melhores. E não podemos sê-lo. Não fomos educados para isso. Fomos educados para sermos humildes. Não somos direcionados para termos sucesso. Porque isso é dos arrogantes. E assim não empreendemos. Porque não nos ensinaram a voar.

Crescemos. Com a sensação de incapazes. Com um potencial que ocultamente fervilha. Impulsiona-se. E retrai-se. E acreditamos fortemente que é demasiada pretensão querermos mais. Esquecemos rapidamente. A pretensão. Ainda somos pequenos.

Deveriam motivar-nos a andar nas montanhas russas. E darem-nos o empurrão nos escorregas mais altos. Deveriam motivar-nos a enfrentar os medos. Ao contrário. Paralisam-nos. Mostram-nos o chão. A segurança. A puta da estabilidade. Era suposto dizerem-nos que somos capazes. Que conseguimos o que quisermos. Retirarem-nos os medos. Tornarem-nos fortes. Ensinarem-nos que só os melhores se destacam. E só os que se destacam podem escolher. Motivarem-nos a voar.

Porra! Que se foda a arrogância de querer ser o melhor entre os melhores. E de  querer ter o melhor dos mundos. Feio é ser miserável de espírito. Sentir-se incapaz. Fraco. Pequeno em demasia. Só conseguimos transformar se formos grandes. Só conseguimos expandir se nos sentirmos grandes.