segunda-feira, 7 de setembro de 2015

É este o poder político conquistado pelas mulheres?

Duas mulheres, figuras públicas, inseridas em contextos políticos, vieram a público na passada semana, em virtude de uma exposição mediática para lá de excessiva.

Em Portugal, Joana Amaral Dias surge na capa da revista Cristina, totalmente despida, não só de roupa mas de qualquer vestígio de bom senso. Cabeça de lista das próximas eleições por Lisboa, através da coligação Agir, admitiu publicamente ter utilizado a sua exposição na revista como marketing político.
Ora questiono-me, estaremos diante de um autêntico vale tudo? Ponho-me a imaginar, uma mulher que procura por trabalho, como deve ir vestida para uma entrevista? Com um grande decote para ser contratada? Vou acreditar que Joana Amaral Dias pertence a uma minoria de mulheres a quem os fins justificam os meios, ao contrário disso, as estatísticas das altas taxas de desemprego estariam equivocadas, pelo menos no que confere ao sexo feminino.
Em resposta às reações negativas, a mesma fala de "hipocrisia da comunicação social" e "de pessoas que se dizem "libertárias e de esquerda". Ora, penso que o correto aqui é falarmos de hipocrisia política. Visto que, qualquer pessoa inserida no meio político deveria querer destacar-se pelas suas ideias e propósitos. Pois, nada mais interessa, que isso. Choca-me o excesso. De despropósito político. E de pessoas que fazem política só porque sim. 

Durante muitos anos considerei-me libertária e de esquerda. Acreditava em mudanças reestruturais políticas no meu país (Brasil). Acreditava que podíamos pôr fim a uma discrepância irascível entre os que passam fome e aos que tudo comem. Acreditava em utopias. Em partidos. Levei alguns anos para perceber que para fazermos mudanças reestruturais apenas é necessária vontade política. E a vontade política passa longe do sentimento de pertença a um partido. A vontade política passa pelo sentimento de pertença a uma sociedade. E constrói-se com base na confiabilidade. A vontade política passa também pelo interesse de ser a extensão ou prolongamento de cada cidadão, no desenvolvimento e na implementação de reformas sociais que são do interesse de toda uma sociedade.

Voltando às pessoas "libertárias e de esquerda", conforme denomina Joana Amaral Dias,  quero acreditar que são libertárias delas próprias, que defendem os seus ideais políticos, e que esses ideais passam longe de se despirem e de despirem a sua vida íntima. Como figura pública que é, poderia ter aproveitado a sua exposição midiática de formas bem mais interessantes, inteligentes e socialmente contributivas.


Joana Amaral Dias (Foto: Revista Cristina)

No Brasil, Lidiane Leite, Prefeita de uma cidade do Maranhão, veio a público internacionalmente, na passada semana, por estar desaparecida, após suspeita de desvio de R$15 milhões. Para somar a esta vergonha, sabe-se que Lidiane não foi eleita pelo voto democrático e sim assumiu o cargo no lugar do eleito Beto Rocha, seu namorado, que foi impedido de exercer as suas funções por ter contas a acertar com a justiça. 
E seria bom não haver mais nada a acrescentar, mas tão ou mais vergonhoso, é que Lidiane Leite administrava a Prefeitura através do Whatsup, e a sua vida era repleta de selfies como a que vemos abaixo. 


Lidiane Leite (Foto: Folha de São Paulo)

Espero que Portugal nunca chegue ao extremo. Ao extremo de chocar-nos com este tipo de personagens políticos. Mas a verdade, é que há alguns anos atrás, ouvia-se dizer "só podia ser no Brasil", e hoje em dia já começamos a ver figuras do meio político a despirem-se. Quê sucederá a seguir? Parece que também em Portugal, estamos a entrar na "era do vale tudo".