quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sofre com problemas de estômago? Então tem de ler isto!



 Desde há pelo menos quatro anos tornei-me intolerante à ingestão de carnes vermelhas. Os meus sintomas são de distenção e dor abdominal, digestão lenta e sensação de peso no estômago, para além de borbulhas no rosto que começam em baixo do pescoço e provocam coceira podendo transformar-se em ferida e demorar um mês a cicatrizar. 

Nunca tinha efetuado exames que comprovassem a intolerância, no entanto fui fazendo algumas exclusões alimentares até perceber o que me provocava todos estes sintomas. Apenas no ano passado ao ter urticária após ingestão de uma posta de atum a minha médica de família encaminhou-me para o hospital para ser seguida por um especialista.



O teste de alergia


Fui seguida por uma Alergologista, no entanto o teste de alergia alimentar deu negativo para todos os alimentos, apenas acusou uma maior sensibilidade à histamina. A histamina é um dos principais mediadores químicos envolvidos na resposta inflamatória anafilática e na resposta alérgica. Basicamente é através da histamina que o nosso corpo transmite a mensagem de que algo não está bem no nosso organismo.



Quando descobri que tinha uma bactéria no estômago...


Fui também seguida por um Gastroenterologista, tendo efetuado também um teste de ar respiratório. Este teste consiste em assoprar para dentro de uns tubos. Não é necessário fazer uma endoscopia para saber se temos ou não aquilo que se descobriu a seguir.... que possuo uma bactéria no estômago. Mas o médico disse-me que não se devem eliminar bactérias do estômago, e não me receitou nenhuma medicação. Eu achei muito estranho, mandarem-me fazer um exame que mesmo detectando uma bactéria não era para ser eliminada. Então para quê fiz o exame?

Novamente voltei à Alergologista, que me disse que poderíamos testar a eliminação da bactéria e perceber como o meu organismo iria reagir posteriormente à ingestão das carnes vermelhas. Nunca referiu no entanto, que esta bactéria deveria sim ser eliminada do estômago em virtude dos malefícios provocados. E o meu choque veio depois ao perceber a gravidade desta situação... Já vão perceber...

Iniciei então o tratamento contra a tal bactéria, de nome - Helicobacter Pylori. Mas já antes de começar o tratamento comecei a sentir uma forte distenção e dor abdominal constantes que piorava cada vez que comia, principalmente refeições como almoço e jantar. E parecia que estava grávida de 3 meses e arrotava muito, mas só ar, por vezes até só por beber água. Após uns dias os sintomas foram piorando e comecei a sentir uma dor tipo pontada, nas costas. Passados três dias a tomar a medicação e sem ver melhoras resolvi ir ao hospital, porque havia alturas que eu já me contorcia com dores no estômago e fiquei com receio de que a medicação não estivesse adequada.


Nas urgências por causa da maldita da bicha...


Tive a sorte de ser atendida por uma médica brasileira que já tinha efetuado um mestrado em Boston, justamente acerca da Helicobacter Pylori. Então ela ficou em choque quando eu disse que ninguém pretendia eliminar-me a bactéria. Ela referiu que esta bactéria é a única que sobrevive em ambientes ácidos como o estômago e que a Helicobacter não é uma bactéria da flora gástrica e portanto é sim para ser eliminada custe o que custar. Revelou-me que esta bactéria desenvolve gastrites, úlceras e até mesmo linfomas! E que já atendeu uma jovem cá em Portugal que tinha esta bactéria e que justamente desenvolveu um linfoma. Teve de fazer quimio e radioterapia, eliminou a bactéria e erradicou o linfoma, mas a que custo! Perdeu todo o cabelo e passou por todo o desgaste que o tratamento exige.

Segundo a médica os sintomas que eu estava a sentir eram provocados pela própria bactéria e o tratamento que é efetuado com a combinação de 2 antibióticos por 15 dias também acabam por piorar um pouco, porque são muito fortes. Ela receitou-me protectores mais fortes para o estômago mas disse que a medicação do tratamento estava correta. Mas atenção, eu só iniciei o tratamento porque insisti com a médica alergologista que me estava a seguir. Foi a investigar a minha intolerância alimentar que descobriram a bactéria e coincidentemente ou não os sintomas de mal estar, dilatação do estômago ao comer, etc, iniciaram 5 dias antes de iniciar o tratamento...

A médica também me disse que internacionalmente a sociedade de gastroenterologia reconhece que a Helicobacter Pylori é para ser eliminada, mas que em Portugal ainda existem muitos "senãos" e que ela também não compreende o porquê...




Mais de 50% da população tem esta bactéria.


Os primeiros estudos remontam há cerca de 24 anos atrás, sendo que ainda não foram descobertas de que forma as pessoas são contaminadas. Desconfia-se que possa ser através dos alimentos mal lavados, através da água, ou até mesmo através dos animais, pois já houve casos de cães com esta bactéria e desconfia-se que possa ser-nos assim transmitida, Mas não existem estudos conclusivos ou seja os meios de transmissão efetivamente ainda não se sabem quais são.

Como a pensar que todas as pessoas que desenvolvem gastrites, úlceras e cancros no estômago são detentoras desta bactéria. As probabilidades também são enormes com mais de 50% da população sendo detentora desta "bichinha" E quantas pessoas fazem tratamentos para gastrite e úlceras sem nunca serem diagnosticadas e nunca erradicarem o verdadeiro problema?