sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Visita ao Passadiço do Paiva - On limit and on fire

    Foi assim nesta quarta-feira. Nem sequer chegamos a concluir o percurso de retorno no Passadiço do Paiva até à praia fluvial. Assim que vimos o fogo próximo ao estacionamento aonde tínhamos o carro seguimos por um atalho que nos fez chegar mais rápido. Só nos lembramos do cemitério de carros em Castelo de Vide, com 420 carros incendiados na semana passada. Só queria salvar o meu carrinho e pôr-me dali para fora. 

Passadiço do Paiva, Arouca

   O pior de tudo é que ligamos para o Passadiço do Paiva na terça-feira para sabermos se era seguro efetuarmos o percurso, pois já tínhamos visto nas notícias que Arouca estava em chamas. Responderam-nos que Arouca é muito grande e que o incêndio florestal era num extremo oposto. Pois afinal não era, afinal assim que terminamos o percurso encerraram os acessos.

Passadiço do Paiva, Arouca

    O fogo conseguiu destruir 500 metros de Passadiço. A nossa visita foi "on limit" e "on fire". Uma tristeza estes incêndios em Portugal. Um país tão pequeno a arder pela ganância de alguns e pela loucura de outros. Inacreditável que possam pôr fogo nas florestas para provocarem a queda de preços dos terrenos, poderem acionar os seguros ou mesmo para conseguirem produzir pasta de papel a preços mais baixos.


   Quando voltamos para Ovar, aonde estávamos hospedados o meu namorado e eu, a cidade estava coberta por fumo. Já não se via o céu na sua cor natural e eram apenas 18h. O sol parecia uma bola de fogo, que esta fotografia tirada do telemóvel enquanto o carro estava em movimento não consegue reproduzir. À noite, mesmo fechados dentro do quarto, conseguíamos sentir o cheiro do fumo e por vezes levantávamos para ver se estava tudo bem lá fora. De manhã, as cinzas caíam do céu  como neve. O ar era irrespirável. Preferimos voltar para Lisboa e só conseguimos parar para beber um café numa zona sem fumo após termos percorrido mais de 20km.