segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Qual o método de treino físico mais eficaz?




Segundo Greg Glassman, "pai" do Crossfit, efetuar todos os dias o mesmo tipo de treino ou estipular dias para treino de pernas e dias para treino de braços é absolutamente fatal para a perda de eficácia nos resultados desejados, tanto a médio como a longo prazo. A rotina de exercícios é, por isso, um modelo deficiente. Pois, é justamente a variância de exercícios, aliada a outros fatores também cruciais, que contribui largamente para os resultados pretendidos. 

E essa é a explicação para o facto de algumas pessoas dizerem que conseguem perder bastante peso quando decidem iniciar seus treinos mas que a partir de um determinado período parece difícil ver resultados na balança. Há uma certa estagnação na perda de peso. No entanto, mesmo sendo ineficazes, continuamos a ver treinos segmentados sendo perpetuados até mesmo em treino militar e desportivo. E a grande questão é, porquê?

Para Glassman, a resposta talvez esteja no facto de sentirmos uma extrema necessidade de medirmos tudo o que nos rodeia, mas o mesmo acrescenta que, características como vitalidade, senso-próprio e bem estar, por exemplo, não podem ser medidas. E isso, nem todo tipo de exercício físico possibilita ou atribui. Ainda ironiza questionando, afinal, o que é energia/vitalidade? O ápice da metanfetamina? Claramente, o coach não é simpatizante dos bodybuilders.

Muitos são os mitos urbanos com relação a área envolvente da saúde. Alguns, criados por experts no assunto, que fatidicamente vêem-se ultrapassados por novos estudos; outros, são criados por comuns mortais. Fisiologistas, por exemplo, têm vindo a definir a frequência cardíaca como intensidade, mas isso é considerado uma medida extremamente pobre, visto que esse tipo de intensidade pode ser variável. Depende se estivermos a falar de um indivíduo que pratica regularmente exercícios físicos ou se é um completo sedentário. Contudo, não é raro vermos quem ainda acredita que transpirar demasiado a t-shirt é sinónimo de perda de muitas calorias. Portanto, talvez seja hora de realmente abandonarmos alguns mitos e ponderarmos sobre que tipo de exercícios nos torna realmente resistentes, nos atribui vitalidade e qualidade de vida no longo prazo da longevidade.




Aliados na perda de peso


Funcionalidade, variabilidade de exercícios e intensidade, são os três grandes aliados na perda de peso ou na manutenção da performance física. E nem por acaso, estas são as três características do Crossfit, que nada mais é do que Treino Funcional de Alta intensidade. Para Greg, que concebeu o Crossfit, de nada vale ter uma grande musculatura quando esta não é suficientemente eficaz para determinadas atividades do dia-a-dia que possam exigir maior resistência física. Assim, o mesmo acrescenta que, bodybuilders não são preparados nem tão pouco funcionais, pois os exercícios dos ginásios têm, segundo ele, muito pouca utilidade ou funcionalidade.



O que é ser FIT?

9 habilidades físicas gerais 



Resistência cardiorespiratória, força, energia, flexibilidade,  potência da velocidade, coordenação, agilidade, equilíbrio e precisão. Para Glassman, são estas as capacidades ou habilidades físicas a avaliar para que uma pessoa possa ser considerada fit. E quantos dos que treinam em ginásios não são deficientes nestas características?

Claro, tudo depende na verdade se você pretende ter apenas um corpo bonito, segundo os seus padrões, ou se pretende acima de tudo ter um corpo resistente e preparado para qualquer nível de exigência físico. E, certamente, o tipo de opção escolhida irá refletir na forma como iremos envelhecer.




O que está escrito no nosso ADN?


Os exercícios funcionais fazem parte da anatomia humana, estas características (funcionalidade, intensidade, velocidade) estão inscritas no nosso ADN, sendo consideradas como facetas da nossa adaptação fisiológica. O ser humano, apenas pelo seu normal processo de evolução, deixou de efetuar os movimentos que ancestralmente sempre fez parte do seu dia-a-dia.

As habilidades físicas acima mencionadas são consideradas orgânicas e as primeiras adaptações ocorrem no cérebro - mudança histológica (a nível celular),  neurológica e orgânica. Por tudo isto, podemos dizer que temos hardware e software no nosso organismo, não há nada que nos impeça de reescrever o nosso código genético, só temos de usá-lo a nosso favor.